10 ações para investir em setembro

Pontos Principais

Crescentes preocupações com a situação fiscal do Brasil

As crescentes preocupações com a situação fiscal do país acabaram empurrando o Ibovespa para o vermelho em agosto. Com as taxas reais de longo prazo nos níveis atuais, e mesmo após a recente liquidação da bolsa, vemos um baixo potencial de valorização sob uma ótica fundamentalista. Se o governo e o Congresso avançarem com a agenda de reformas do Brasil e indicarem que estão dispostos a trabalhar na consolidação fiscal, as taxas reais de longo prazo podem cair, abrindo caminho para o Ibovespa voltar a subir. No entanto, em nossa opinião, será um desafio avançar com as medidas de austeridade no curto prazo, especialmente antes das eleições municipais de novembro.

Duratex é nossa única adição neste mês

Neste mês, adicionamos a Duratex ao 10SIM, pois a empresa se beneficia de um forte mercado de construção (novas residências, pequenas obras e reformas). No momento, está operando próximo à capacidade total em algumas de suas linhas de produção, indicando um forte 2S20. Para abrir espaço para a Duratex, decidimos retirar a fabricante de softwares Totvs, depois de a ação ter performado bem nos últimos meses.

Um grande mês para as empresas de telecomunicação; Mantendo exposição aos exportadores

Estamos mantendo exposição ao setor de telecomunicações por meio da TIM e da Oi, pois esperamos que a assembleia geral de credores desta última aconteça em setembro, dando visibilidade à venda de algumas de suas operações. Também estamos mantendo exposição aos exportadores por meio da produtora de minério de ferro Vale (3,5x EV/EBITDA) e da produtora de carne bovina JBS (19% de rendimento FCF).

Petrobras, CCR, LAME, Cyrela & B3 completam o 10SIM

Petrobras (desalavancagem/melhor alocação de capital), CCR (pipeline robusto de novos projetos de concessão), Cyrela (forte recuperação do setor habitacional), LAME (varejista resiliente/player de e-commerce), e B3 (fluxos fortes/boom do mercado de capitais) completam nosso portfólio.

Ações do Portfólio

Vale (VALE3):

Normalmente, é uma má ideia comprar ações de commodities durante uma recessão, mas vemos o minério de ferro como uma das poucas histórias específicas isoladas da crise, explicando a estabilidade relativa dos resultados da Vale em 2020. A demanda de minério de ferro da China (~70% do mercado transoceânico) permanece forte como sempre, enquanto as agudas interrupções no lado da oferta colocaram os mercados em um déficit até o momento no ano – os preços spot permanecem acima de ~US$ 120/t (mesmo que esperemos que eles caiam). Nesses níveis, tudo indica que a Vale poderia entregar perto de US$ 19 bilhões de EBITDA em 2020, resultando em um FCF yield de +20% (ex-saídas de Brumadinho) de fluxo de caixa. Embora as ações estejam inegavelmente baratas em qualquer métrica, ainda acreditamos que a redução na percepção de risco da tese da ação será um processo gradual, com base em três pilares: (i) o retorno da política de dividendos (restabelecido no mês passado) deve gerar entradas adicionais; (ii) forte recuperação nos volumes e custos decrescentes; e (iii) melhorar marginalmente a percepção ESG, dado o foco maior da administração no tema desde Brumadinho (longo prazo). Vemos as ações negociando a ~3,5x EBITDA 2020 (grande diferença em relação aos pares) e optamos por mantê-la em nosso 10SIM, pois ainda vemos um potencial de valorização, mesmo que punindo a ação por vários ângulos.

Duratex (DTEX3):

Estamos adicionando a Duratex ao nosso portfólio por acreditarmos que a empresa deve se beneficiar dos fortes mercados de construção (pequenas obras + reformas + novos lançamentos) tanto nos próximos trimestres quanto no longo prazo. Depois de ser severamente impactada pela crise no 2T20, a DTEX está operando perto da capacidade total em algumas de suas linhas de produção (recuperação em forma de V) e agora esperamos uma expansão do EBITDA (a/a) para 2020 (maiores volumes e margens no 2S20). Ainda assim, esta não é uma história barata com base em múltiplos de curto prazo (~11x EBITDA 21), mas acreditamos que a recuperação em curso na empresa justifica nosso otimismo para as ações – caminhando para uma história menos comoditizada e mais centrada no consumidor. À medida que a empresa aumenta a exposição a negócios de maior margem/menor capital investido (diluição da exposição em painel de madeira), acreditamos que o potencial de ROE de longo prazo foi substancialmente refeito e vemos que este é um aspecto crítico do caso de investimento.

Petrobras (PETR4):

Desde o início da pandemia, reiteramos nosso rating de Compra na Petrobras, refletindo sua resiliência de longo prazo, mesmo sob um ‘novo normal’ para os preços do petróleo, sustentado por ativos de Exploração & Produção de alto nível. Embora continuemos conservadores em relação ao ritmo de recuperação dos preços do petróleo, o foco da PBR em projetos de alto retorno na área do pré-sal significa que a empresa provavelmente poderá reduzir o ponto de equilíbrio do petróleo abaixo de US$ 30/barril, abrindo caminho para lucros sustentáveis a longo prazo. Além disso, esperamos que os fundamentos comecem a pesar na ação no curto prazo. Como o pior momento para os mercados de petróleo parece agora estar no passado, acreditamos que os investidores devam começar gradualmente a prestar mais atenção ao processo de desalavancagem e redução de riscos da empresa. O desinvestimento de 50% de suas refinarias terá um papel importante nessa frente (espera-se que a PETR receba ofertas vinculativas para seus principais ativos até o final do ano). No geral, vemos o caso de investimento da PETR agora oferecendo uma relação risco-retorno muito mais atraente.

JBS (JBSS3):

A ação continua sendo nossa Top Pick no setor de alimentos. Em um mundo com escassez de carne após o surto da peste suína africana, e com a demanda de proteínas demonstrando ser altamente inelástica ao preço e bastante resistente, acreditamos que a JBS oferece uma proposta convincente para investidores que não têm visibilidade de receita e lucro em outros lugares. A recente depreciação do BRL e o forte momentum na maioria de suas divisões devem permitir à JBS manter os resultados operacionais crescendo em 2020, enquanto o valuation se mantém barato, sendo negociado a um múltiplo de 4.2x EV/EBITDA 2020 ou até 5x em um cenário de 2021 mais normalizado (abaixo dos seu 6x histórico, apesar da redução de riscos e com desconto em relação aos pares, que consideramos não merecido). O FCFE de dois dígitos (19% 2020E) sozinho sinaliza uma história de transição atraente de valor para os acionistas. Também acreditamos que o desconto de longo prazo relacionado à governança corporativa/administração da JBS desaparecerá gradualmente à medida que (i) a administração se profissionaliza, (ii) a empresa se esforça mais para aprimorar a governança corporativa e (iii) busca uma estrutura de capital mais razoável e um custo mais baixo de dívida. As oportunidades de crescimento inorgânico podem ser uma opção de valor agregado agora que as preocupações com o balanço patrimonial foram praticamente eliminadas.

CCR (CCRO3):

Apesar da baixa visibilidade sobre a duração da pandemia do COVID-19, a CCRO3 é hoje a nossa principal opção de transporte, com base em: (i) modelo de negócios defensivo, que se mostrou resiliente durante a crise, com dados de tráfego de agosto confirmando uma recuperação gradual; (ii) o sólido cenário de longo prazo do setor, já que o Brasil ainda enfrenta uma lacuna de infraestrutura e o pipeline de concessão deve retomar no período pós-crise, quando também esperamos que a CCR se beneficie de um ambiente menos competitivo, devido à pressão financeira enfrentada pela maioria dos pares diretos e (iii) níveis de valuation atraentes, negociando a uma TIR real de 7,2%. Além disso, sinalizamos que o potencial anúncio do reequilíbrio de contrato deve se tornar um evento positivo no setor, removendo ameaças antigas sobre as ações da CCR. Após um longo período de discussão, vemos esse reequilíbrio contratual atingindo seus estágios finais dentro do governo do estado de SP, já que a Ecorodovias anunciou a criação de um comitê especial com o governo do estado para discutir todos os seus reequilíbrios pendentes de uma só vez – o que, por sua vez, cria uma perspectiva positiva sobre o assunto para todo o setor.

TIM (TIMP3):

As operadoras de telecomunicações em geral devem superar outros setores em tempos com menos visibilidade, dado seu modelo de negócios resiliente e forte geração de fluxo de caixa. No caso da TIM, acreditamos que há uma vantagem adicional de uma possível transação de M&A envolvendo a Oi Mobile. As sinergias podem ser consideráveis. No caso da TIM, se a venda da divisão móvel da Oi por R$ 16,5 bilhões for confirmada, estimamos que as sinergias poderiam chegar a R$ 3,5 por ação, que somadas ao nosso preço-alvo de R$ 16,5, resultariam em um preço-alvo de R$ 20/ação.

B3 (B3SA3):

Como esperado, a B3 postou outro forte conjunto de resultados no 2T, com uma receita ligeiramente acima dos números (fortes) do 1T. Os resultados do 2T também trouxeram várias boas notícias, já que o guidance de payout de 2020 entre 120-150% foi reiterado, a empresa está cumprindo o roteiro de produtos (incluindo BDRs) e os volumes continuaram em níveis resilientes em julho/agosto. Em nossos relatórios recentes, sinalizamos que taxas de juros anormalmente baixas e fluxos de informação substancialmente mais altos por meio de canais digitais contribuíram para um rápido aumento no número de investidores de varejo (PFs) na B3. Embora parte desta nova atividade comercial possa ser indiscutivelmente cíclica (de curto prazo por natureza), o COVID-19 pode ter apenas acelerado as tendências estruturais em vários anos, o que pode se provar muito poderoso para a B3 e a indústria de mercado de capitais do Brasil. Como resultado, a B3 tem sido uma de nossas Top Picks e, portanto, merecidamente mantém seu lugar em nosso portfólio por mais um mês.

 

Cyrela (CYRE3):

Apesar do surto do Covid-19, estamos vendo uma recuperação rápida de vendas de imóveis domiciliares no segmento de renda média/alta (as vendas de junho foram mais fortes que maio, e julho/agosto tem se mostrado sólido também). Em nossa opinião, isso é impulsionado, principalmente, pelas taxas de hipoteca mais baixas de todos os tempos (os bancos continuam anunciando novos cortes nas taxas de hipoteca, como foi o caso do Santander no mês passado, anunciando TR +6,99% p.a.). O cenário é muito incerto (ainda é cedo para prever todos os impactos do Covid-19 na economia e, mais importante, se veremos uma recuperação acentuada nos próximos meses), mas reconhecemos que a Cyrela está muito bem posicionada para surfar a recuperação do setor habitacional, pois possui marcas diferentes que atendem a todos os segmentos de renda, enquanto o valuation parece atraente em um cenário em que as vendas de imóveis começam a se recuperar e a empresa retoma os lançamentos (vemos a ação negociando a 2,0x P/TBV). Com uma perspectiva mais positiva nos próximos meses, estamos mantendo a Cyrela ao nosso portfólio 10SIM.

Oi S.A (OIBR3):

Em agosto, a Oi anunciou uma proposta revisada para mudar seu plano de recuperação judicial. A companhia pretende vender: i) sua unidade móvel por um mínimo de R$ 15 bilhões; ii) um pedaço de sua infraestrutura de fibra (backbone, backhaul e last mile FTTH) por um preço mínimo de R$ 20 bilhões; iii) torres móveis e data centers por um total de R$ 1,3 bilhão; e iv) suas operações de TV por assinatura via satélite (DTH) por um preço simbólico que permitiria com que a empresa conseguisse se livrar dos custos associados aos contratos de longo prazo de compra de capacidade de satélite e conteúdo. Após vender essas unidades, a Oi estaria operando: i) um negócio de ponta em FTTH para B2C, que estimamos valer pelo menos R$ 4 bilhões; e ii) o legado de cobre (voz fixa/banda larga). Seria também dona de um percentual relevante dos resultados econômicos da empresa de infraestrutura da Oi. Existem muitos desafios de execução, mas gostamos do que vimos no novo plano e pensamos que a empresa está no caminho certo.

Lojas Americanas (LAME4):

Embora as Lojas Americanas, como todos os varejistas físicos (B&M), tenha sido impactada no curto prazo pela diminuição do tráfego em suas lojas, continuamos a ver fundamentos resilientes, apoiados por iniciativas crescentes de O2O, e um amplo sortimento com ticket médio baixo. Ainda, a companhia possui alta exposição ao crescimento secular do e-commerce (via B2W, na qual LAME detém uma participação de 62%) e pagamentos (via Ame Digital) no Brasil, enquanto negocia a um valuation atraente (B&M a 16x P/L 2021 vs. 34x da mediana do setor de varejo), o que consideramos atraente devido à sua resiliência em meio à turbulência do setor de varejo.

Informações Importantes

▪ Para informações complementares e detalhadas entre em contato com o seu assessor. ▪ Preços das ações refletem preços de fechamento no mercado à vista. ▪ Rentabilidades passadas não oferecem garantias de resultados futuros. ▪ Os retornos indicados como performance são baseados em valorização do capital incluindo dividendos e excluindo custos de transação da B3, da corretora, comissionamentos, juros cobrados sobre limites de crédito, margens etc. Ajustar o desempenho da carteira aos custos resultará em redução dos retornos totais demonstrados.

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