10 ações para investir em julho

Pontos Principais

Os fundamentos oferecem um baixo potencial de valorização, mas os fluxos podem gerar maiores ganhos no mercado
A alta da bolsa continuou em junho, com o Ibovespa já apresentando uma alta de 50% em relação à mínima. Sob uma ótica fundamentalista e com base em nossas premissas em relação ao PIB, crescimento dos lucros e taxas de juros reais de longo prazo, vemos um baixo potencial de valorização para o Ibovespa. Porém, um ambiente político mais estável e com maiores fluxos de capital para ações, impulsionados por taxas de juros de curto prazo extremamente baixas, podem abrir caminho para o Ibovespa continuar subindo, mesmo que isso signifique múltiplos mais caros.

Portfólio bem equilibrado; Retorno da Petrobras
Estamos mantendo um portfólio diversificado que combina players de setores que devem se sair relativamente bem na crise, empresas com exposição cambial e fortes geradoras de fluxo de caixa com sólidos balanços. A gigante petrolífera brasileira, Petrobras, retorna a nossa carteira (10SIM). Com maior estabilidade do preço do petróleo, a ação pode ser impulsionada por sua própria agenda de produção do pré-sal de baixo custo, desalavancagem e alocação otimizada de capital.

CCR, TIM e Cyrela se juntam à carteira
Estamos substituindo a Rumo pela operadora de rodovias CCR, que está em uma forte posição para se beneficiar do que acreditamos ser um pipeline robusto de novos projetos de concessão. Mantendo intacta nossa exposição ao setor de telecomunicações, decidimos substituir a Vivo pela TIM, pois acreditamos que esta última se beneficia proporcionalmente mais da consolidação no Brasil. A construtora Cyrela é a outra estreante este mês. As vendas de imóveis no segmento de médio/alto padrão estão melhorando, ajudadas por baixas taxas de hipoteca. Para criar espaço para os recém-chegados, também estamos removendo a Gerdau e a CBD.

Carteira com exportadoras, serviços financeiros, varejistas resilientes, seguros e de software
Mantemos alguma exposição ao dólar via Vale e JBS. A bolsa de valores B3, a fabricante de software Totvs, a seguradora SulAmérica e a varejista/e-commerce Lojas Americanas completam a 10SIM.

No curto prazo, os fluxos podem continuar impulsionando os mercados
O Ibovespa subiu pelo terceiro mês consecutivo em junho (+9%) e agora está 50% acima do seu fundo realizado em 23 de março. Em 95.056 pontos, o Ibovespa, excluindo Petrobras e Vale, está sendo negociado a 17,7x P/L projetado de 12 meses e 14,1x P/L 2021E, um prêmio à sua média histórica (de 12,6x).

Com os fundamentos atuais, vemos um potencial de valorização limitado para o Ibovespa continuar se valorizando. Melhoramos nossas previsões de queda do PIB em 2020 à medida que os dados de maio e junho apontam para uma recuperação mais rápida do que o esperado – agora modelamos uma queda do PIB de 6% em 2020 contra 7% antes – mas continuamos a esperar uma recuperação um tanto modesta em 2021 (3%), deixando o PIB esperado para 2021 ainda abaixo dos níveis de 2019.

Talvez o mais importante seja que ainda há um grande ponto de interrogação sobre a capacidade do governo de consolidar suas contas fiscais e criar condições para que a dívida pública, como % do PIB, comece a cair novamente. As taxas de juros reais de longo prazo se estabilizaram acima de 4% (medido pelos títulos do governo federal de 2035), consideravelmente acima do nível de 3% observado antes da crise. Em nossa opinião, para que as taxas reais de longo prazo comprimam, os mercados precisam ter maior visibilidade sobre o impacto fiscal de longo prazo das medidas relacionadas ao Covid-19 e sobre melhores perspectivas para a aprovação das principais reformas.

Um ambiente político um pouco mais estável e taxas de curto prazo extremamente baixas
Embora ainda existam alguns riscos relevantes, o ambiente político parece ser um pouco mais favorável agora. A nova coalizão política do governo, agora incluindo partidos do chamado “Centrão”, deve melhorar a governabilidade e proteger o governo dos ataques da oposição. Em algumas votações recentes no Congresso, a nova coalizão mostrou sua força, garantindo ao governo importantes vitórias.

O novo arranjo político deve funcionar particularmente bem no curto prazo. O governo aumentou materialmente as despesas para combater os efeitos da pandemia – incluindo um subsídio mensal de R$ 600 por três meses (prestes a ser prorrogado por mais 2) para trabalhadores informais e de baixa renda que beneficiam mais de 50 milhões de brasileiros.

Esses benefícios são especialmente importantes, do ponto de vista político, alguns meses antes das eleições municipais.

Ao mesmo tempo, a respeitada equipe econômica do governo, conhecida por sua disciplina fiscal, concordou com o aumento de despesas, dada a dramática situação que afeta os trabalhadores de baixa renda no Brasil.

A melhora do relacionamento do governo com o Congresso indica águas mais calmas pela frente. Os dois riscos políticos mais importantes no curto prazo, a nosso ver, provêm de duas investigações que podem envolver a família do Presidente: i) a investigação de fake news; e ii) uma investigação envolvendo um possível esquema político do filho mais velho do presidente, o senador Flavio Bolsonaro. Neste momento, nenhum deles parece ser relevante o suficiente para ter um impacto político relevante no governo.

Ações do Portfólio

Vale (VALE3):
Embora geralmente seja uma má ideia comprar ações de commodities durante uma recessão, vemos algumas características defensivas na Vale, que acreditamos que poderiam atenuar a desvantagem (ou garantir um desempenho relativamente superior) em meio à crise do coronavírus. A Vale é, em última análise, um play de China, e há várias razões para acreditar que a China está ressurgindo do vírus e os negócios estão normalizando, o que acreditamos ser o aspecto crítico do nosso relativo otimismo para o caso. A demanda por minério de ferro continua forte como sempre no país, enquanto as agudas interrupções no lado da oferta colocam o mercado em um déficit – os preços spot estão perto de US$ 100/t (mesmo que esperemos que os preços caiam mais à frente). Nesses níveis, tudo indica que a Vale poderia entregar acima de US$ 16 bilhões em EBITDA em 2020, colocando a empresa em um rendimento de quase ~20% (considerando as saídas de Brumadinho). Houve algum ruído de outras interrupções nas operações da Vale, mas não estamos preocupados com isso, já que os preços geralmente compensam a perda de volumes (já estamos trabalhando com o limite inferior do guidance de ~305Mt). A alavancagem reduzida da Vale, dívida líquida de ~0,5x em relação ao EBITDA, e o balanço defensivo também devem ajudar a empresa a enfrentar a tempestade. A preços atuais, vemos as ações precificando uma reversão permanente da curva de minério de ferro para ~US$ 60/t, que consideramos exagerados, e vemos a Vale sendo negociada em ~3,8x EBITDA 20.

TOTVS (TOTS3):
A Totvs possui um modelo de negócios resiliente, com receitas recorrentes de ~76%. No entanto, as vendas da Totvs estão diretamente relacionadas ao desempenho da economia geral (ela vende seus serviços em diferentes setores e regiões). Uma desaceleração econômica e demissões podem afetar negativamente as vendas recorrentes da Totvs, da mesma forma que aconteceu na recessão 2015/2016 – não uma redução drástica, mas uma desaceleração no crescimento. As linhas de receita não recorrentes (vendas e serviços de licenças) estão mais expostas a impactos, à medida que os clientes fecham suas portas. Em nossa opinião, o fato de as vendas da Totvs estarem espalhadas em diferentes setores e geografias é positivo.

Petrobras (PETR4):
Desde o início da pandemia, reiteramos nosso rating de Compra na Petrobras, refletindo sua resiliência de longo prazo, mesmo sob um ‘novo normal’ para os preços do petróleo, sustentado por ativos de Exploração & Produção de alto nível. Embora continuamos conservadores em relação ao ritmo de recuperação dos preços do petróleo, o foco da PBR em projetos de alto retorno na área do pré-sal significa que a empresa provavelmente poderá reduzir o ponto de equilíbrio do petróleo abaixo de US$ 30/barril, abrindo caminho para lucros sustentáveis a longo prazo. Além disso, esperamos que os fundamentos comecem a pesar na ação no curto prazo. Como o pior momento para os mercados de petróleo parece agora estar no passado, acreditamos que os investidores devam começar gradualmente a prestar mais atenção ao processo de desalavancagem e redução de riscos da empresa. O desinvestimento de 50% de suas refinarias terá um papel importante nessa frente (espera-se que a PBR receba ofertas para seus principais ativos até o final do ano). No geral, vemos o caso de investimento da PBR agora oferecendo uma recompensa de risco muito mais atraente.

JBS (JBSS3):
A JBS continua sendo nossa Top Pick no setor de alimentos. Em um mundo com escassez de carne após o surto da peste suína africana, e com a demanda de proteínas demonstrando ser altamente inelástica ao preço e bastante resistente, acreditamos que a JBS oferece uma proposta convincente para investidores que não têm visibilidade de receita e lucro em outros lugares. A recente depreciação do BRL e o forte momento na maioria de suas divisões devem permitir à JBS manter os resultados operacionais crescendo em 2020, enquanto os valuations estão mais uma vez em níveis baratos, sendo negociadas a um múltiplo de 5x EV/EBITDA 2020 (abaixo dos seu 6x histórico, apesar da redução de riscos), com o FCFE de dois dígitos (19% 2020E) sinalizando uma história de transição atraente para os acionistas. Também acreditamos que o desconto de longo prazo relacionado à governança corporativa/administração da JBS desaparecerá gradualmente à medida que (i) a administração se profissionaliza, (ii) a empresa se esforça mais para aprimorar a governança corporativa e (iii) busca uma estrutura de capital mais razoável e um custo mais baixo de dívida. As oportunidades de crescimento inorgânico podem ser uma opção de valor agregado agora que as preocupações com o balanço patrimonial foram praticamente eliminadas.

CCR (CCRO3):
Apesar da baixa visibilidade sobre a duração da pandemia do COVID-19, a CCRO3 é hoje a nossa principal opção de transporte, com base em: (i) modelo de negócios defensivo, que se mostrou resiliente durante a crise; (ii) o sólido cenário de longo prazo do setor, já que o Brasil ainda enfrenta uma lacuna de infraestrutura e o pipeline de concessão deve retomar no período pós-crise. Após a crise, espera-se que a CCR se beneficie de um ambiente competitivo mais baixo, devido à pressão financeira enfrentada pela maioria dos pares diretos e (iii) níveis de valuation atraentes, negociando a uma TIR real de 6%. Além disso, sinalizamos que o anúncio do reequilíbrio de contrato deve se tornar um evento positivo no setor, removendo ameaças antigas sobre as ações da CCR. Após um longo período de discussão, vemos esse reequilíbrio contratual atingindo seus estágios finais dentro do governo do estado de SP.

TIM (TIMP3):
As operadoras de telecomunicações em geral devem superar outros setores em tempos com menos visibilidade, dado seu modelo de negócios resiliente e forte geração de fluxo de caixa. No caso da TIM, acreditamos que há uma vantagem adicional de uma possível transação de M&A envolvendo a Oi Mobile (a empresa afirmou que o processo de due diligence está avançando bem). As sinergias podem ser consideráveis. Acreditamos que o VPL das sinergias de OPEX/Capex poderia somar R$ 13 bilhões (assumindo que a TIM mantenha ~70% da operação), ou R$ 5,5 por ação.

B3 (B3SA3):
Depois que a registrou seu melhor trimestre de todos os tempos no 1T20, impulsionado por volumes fortes e margens melhores do que o esperado, especialmente em futuros, os volumes preliminares do 2T continuaram surpreendendo positivamente. Até agora no trimestre, o ADTV de ações permaneceu praticamente inalterado vs. R$ 28,9 bilhões no 1T e R$ 17,3 bilhões em 2019. Diferentemente da crise passada, as taxas de juros são significativamente mais baixas, o que tem estimulado a entrada de novos investidores individuais na bolsa. Além disso, vemos grandes atributos, como margens altas, baixa alavancagem financeira e fluxo de receita constante, que nos mantêm positivos em relação a ação.

Cyrela (CYRE3):
Apesar do surto de Covid-19, estamos vendo uma recuperação gradual das vendas de casas no segmento de renda média/alta (as vendas de maio foram mais fortes que abril e continuaram crescendo em junho). Em nossa opinião, isso é impulsionado, principalmente, pelas taxas mais baixas de hipoteca de todos os tempos (os bancos continuam anunciando novos cortes nas taxas de hipoteca, como foi o caso do Santander no mês passado, anunciando TR + 6,99% p.a). Embora acreditemos que o cenário seja muito incerto (ainda é cedo para prever todos os impactos do Covid-19 na economia e, mais importante, se veremos uma recuperação acentuada nos próximos meses), acreditamos que a Cyrela está muito bem posicionada para surfar na recuperação do setor habitacional, pois possui marcas diferentes que atendem a todos os segmentos de renda, enquanto o valuation parece atraente em um cenário em que as vendas de imóveis começam a se recuperar e a empresa retoma os lançamentos (vemos a ação em 1,9x P/TBV). Com uma perspectiva mais positiva nos próximos meses, estamos adicionando a Cyrela ao nosso portfólio 10SIM.

SulAmérica (SULA11):
Como um setor beta baixo e um setor mais resiliente, gostamos de exposição ao setor de seguros de saúde no momento, principalmente para investidores que buscam mais proteção em momentos de forte volatilidade do mercado. E a SulAmérica é a melhor opção em assistência médica, oferecendo uma combinação vencedora de (i) um valuation relativamente atraente (P/L 2021 em 21x e 2,1x P/BV); (ii) momentum robusto dos lucros (a taxa de sinistralidade do 2T deve ser um recorde em níveis baixos, com procedimentos eletivos adiados), principalmente quando hoje é uma mercadoria rara; e (iii) alto dividend yield – a venda de sua divisão Automóvel deve gerar R$ 2,2 bilhões em receitas líquidas de impostos, ou um forte rendimento de 12%. Não esperemos que a maior parte desses recursos seja pago no curto prazo, além de mais M&As serem possíveis – por exemplo, recente aquisição da Paraná Clínicas. Por fim, lembramos que a SUSEP (reguladora de seguros do Brasil) aprovou recentemente o pedido de mudança de propriedade dos negócios de automóveis da SulAmérica. Essa aprovação foi o último marco regulatório pendente para o negócio, por isso acreditamos que o fechamento esteja próximo.

Lojas Americanas (LAME4):
Embora reconheçamos que a LAME, como qualquer outro varejista da B&M, deve ter dificuldades no curto prazo devido ao menor tráfego nas lojas (o que levou a uma revisão em baixa nos números de 2020), a empresa mitigou parcialmente isso com sua ampla variedade (que permitiu que a maioria das lojas permanecesse aberta em abril) e a crescente participação do canal on-line em suas vendas totais. Enquanto isso, existem riscos positivos de possíveis parcerias na Ame Digital e no formato de conveniência, enquanto o capital de giro melhorou continuamente nos últimos trimestres, o que não é totalmente precificado, bem como a exposição às fortes perspectivas de crescimento da B2W (na qual a LAME detém uma participação de 62%). A preços atuais, a LAME B&M negocia a 15x P/L 2021E (vs. 30x como a mediana do setor de varejo), que consideramos atraentes devido à sua resiliência em meio à turbulência do varejo.

Informações Importantes

▪ Para informações complementares e detalhadas entre em contato com o seu assessor. ▪ Preços das ações refletem preços de fechamento no mercado à vista. ▪ Rentabilidades passadas não oferecem garantias de resultados futuros. ▪ Os retornos indicados como performance são baseados em valorização do capital incluindo dividendos e excluindo custos de transação da B3, da corretora, comissionamentos, juros cobrados sobre limites de crédito, margens etc. Ajustar o desempenho da carteira aos custos resultará em redução dos retornos totais demonstrados.

Quer mais informações sobre a Carteira Recomendada?

Whatsapp: +55 12 99786-6698

ABRA SUA CONTA

É fácil. Preencha os campos do formulário, em seguida você receberá o link para baixar o app e finalizar o seu cadastro. O processo é 100% online e a conta é gratuita. Invista de forma segura, através de uma plataforma moderna que disponibiliza os melhores investimentos do Brasil.

Tel: +55 11 3459-6155

e-mail: contato@atlasinvest.com.br